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Entrevista Especial - NO MUNDO DOS FAMOSOS
 


Entrevista Especial com: Sura Berditchevsky

 

 

Hoje eu entrevisto uma querida e muito talentosa atriz. Ela já provou seu imensurável talento dando vida a diversas personagens marcantes na TV, no Cinema e no Teatro, ela também é uma respeitada diretora e uma exímia professora de teatro. E em breve estará ao ar na tela do Canal Viva na reprise da novela “Dancin’ Days” onde deu um show de interpretação. A “Entrevista Especial” do “No Mundo dos Famosos” é com a querida atriz SURA BERDITCHEVSKY.

“O ator não tem que ser certinho, tem que ser irreverente, tem que ser transgressor. Se ele for no comboio ele será um artista medíocre, ele tem que ter um olhar de fora e transgredir com a coisas que acontecem na realidade para poder criar.”

                                                                                                      (Sura Berditchevsky)

Jéfferson Balbino: Quando e como você decidiu que queria ser atriz?

Sura Berditchevsky: Eu era adolescente e estava procurando alguma coisa, eu era uma rebelde que queria fazer muitas coisas ao mesmo tempo eu tinha um interesse muito grande por humanas, por psicologia e jornalismo, mas aí eu acabei optando pelo jornalismo, mas no Ensino Médio eu ativei o grêmio da Escola, eu estudei no Colégio Tradicional Franco-Brasileiro na época da Ditadura e reativei o grêmio e trouxe um professor de teatro da Escola Nacional de Teatro e fizemos algumas peças, eu montei duas peças do Brestche e do Pirandello lá na escola e vi que eu adorava aquilo e eu tinha um tio meu, que já é falecido, que tinha um grupo amador de teatro, ele também era cenografo e estudou com a Dulcina de Moraes, e ele um dia me falou que se realmente era aquilo mesmo que eu queria ele ia então me levar num lugar para eu conhecer, e me levou no Tablado. E eu conheci o Tablado, entrei para o Tablado no meio do ano de 1970, e prestei o vestibular de jornalismo e passei e cursei até o terceiro ano de jornalismo e não terminei. E no Tablado foi onde eu descobri que era aquilo que queria para minha vida, na época lá só tinha como professora a Maria Clara Machado com duas turmas, a que estava iniciando e a que já estava ali há mais tempo. E eu entrei nessa nova turma que tinha também a Louise Cardoso onde ficamos até hoje muito amigas, tinha também nessa turma: Bernardo Jabronski, Carlos Wilson, Daniel..., enfim pessoas que foram muito importantes na história do Tablado e fora de lá também e então essa turma minha foi a turma que ficou mais tempo com a Maria Clara no Tablado porque entravam atores e saiam e nós ficamos. Muitos atores bons passaram por lá como Malu Mader e Fernanda Torres que estudaram e depois se profissionalizaram. Logo no inicio do Tablado eu logo de cara já fiz a primeira peça que a Clara montou logo naquele ano que era em comemoração aos 20 anos e fui fazendo todas as peças durante o período que eu estava lá e não fui fazendo só as peças infantis dela, que eram super importantes, como as peças adultas e virei professora ali também. Eu comecei a lecionar teatro muito cedo, primeiro em algumas escolas com 19 anos de idade e só pra você ter ideia numa das escolas eu dei aula para a Daniela Perez que era super amiga de uma das filhas do Chico Buarque com a Helena Buarque, que depois se casou com o Carlinhos Brown, elas eram pequenininhas e eu dava aula de Artes para elas enfim eu trabalhei em algumas escolas e depois no Tablado. Eu sou professora de teatro desde então e esse exercicio de lecionar de teatro depois me levou para a direção...

Jéfferson Balbino: Li na sua biografia que seu nome de batismo é Silvia, o que fez você mudar pra Sura – como nome artístico?

Sura Berditchevsky: A minha ascendência é russa, meus avós são judeus-russos, os quatro, na verdade a mãe da minha mãe é da Romênia. E na minha cultura, na cultura judaica, você dá sempre o nome da pessoa em homenagem a algum parente que faleceu, então o meu nome Sura é dado em homenagem à uma tia-avó, irmã da minha avó que morreu na época da Segunda Guerra Mundial e minha avó veio para o Brasil. Mas na nossa cultura também costumamos a dar um nome próximo e me deram Silvia para ser próximo de Sura, meu irmão o nome dele é Hélio e o judaíco Hersch, ou seja, tem sempre uma tradução, procuram sempre traduzir comuma letra, um fonema ou alguma coisa próxima... Mas quando eu entrei para o Tablado na escola era Sílvia, mas na minha casa era Sura, quando eu entrei lá no Tablado o Bernardo que frequentava minha casa logo começou a me chamar de Sura e na peça que fazíamos tinhamos mais duas Silvia e a Maria Clara sugeriu que eu assinasse como Sura, e hoje eu me considero Sura.

Jéfferson Balbino: E que lembranças você mantém doseu convivio com a Maria Clara Machado?

Sura Berditchevsky: A Maria Clara era adorável, uma mãezona, a gente tinha o maior respeito por ela e uma grande intimidadeentão ela foi muito importante na minha vida e na minha formação. A gente compartilhava muito, ela gostava e confiava imensamente em mim e eu retribuia. Ela tinha uma relação de igualdade com os jovens, era uma pessoa com um espirito jovem e foi assim até morrer e muito chapliana, era muito engraçada, com um humor especial e ao mesmo tempo era a nossa diretora, a dona do Tablado, ela escrevia a peça e mostrava pra gente, chegou a escrever uma personagem pra mim, eu gostava da maneira que ela dirigia, uma coisa que gostava de ouvir ela dizendo era que gostava de formar individuos e não artistas, pois o que ela se interessava era pelo ser humano. Ela acreditava que essa era a missão dela... E ela fez isso tão bem que podemos ver muitos artistas que estão aí que passaram pela mão dela.

Jéfferson Balbino: Você aacredita que os atores formados pelo Tablado tem uma qualidade superior ao dos atores formado por cursos livres?

Sura Berditchevsky: Eu tenho muitos alunos não só do Tablado mais de outros lugares que tem saído dos cursos direto para o mercado de trabalho e que são excelentes. Do Tablado sairam grandes nomes como: Malu Mader, Patrícia Pillar, Lúcia Veríssimo que foi minha aluna... E até hoje sai muitos atores, mas o que acontece é o seguinte: a cada esquina tem 3 cursos de teatro que prometem dar certificado, DRT, etc. E, é isso que a gente vê, e o público não é burro, vê e identifica. Eu acho que um ator que não é preparado, seja jovem ou velho, ele não vai se sustentar, pode até durar por um tempo, mas não terá ferramenta e conteúdos para seguir a carreira, porque além do talento você tem que ter vocação e vocação você aprende em escola e estudando onde é seu, é nato, mas você desenvolve isso. E vocação significa você entender profundamente o que é a profissão.

Jéfferson Balbino: Você acha então que a profissão de ator está um pouco banalizada?

Sura Berditchevsky: Sim... banalizou. Porque o filho que não estuda a mãe acha que não pode ser médico, nem engenheiro, mas isso não é o aval para ser ator. Então vai ser modelo, e não ator. Hoje em dia a pessoa é bonitinha e já acha que pode ser artista ou então jogador de futebol porque acha que é um caminho mais fácil, mas é o contrário, não é nada mais fácil.

Jéfferson Balbino: Hoje em dia parece que a beleza se sobressai em detrimento do talento...

Sura Berditchevsky: E não é? Tudo isso é muito louco...

 



Escrito por defrentecombalbino às 18h59
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Entrevista Especial com: Sura Berditchevsky

 

 

Jéfferson Balbino: Sua estreia na teledramaturgia brasileira ocorreu na novela “Dancin’ Days” (TV Globo/1978). Como foi essa primeira experiência televisiva?

Sura Berditchevsky: Nessa época era no máximo 20% de atores novos e o resto era só de atores muito bons era assim que ocorria nas novelas então eu fiz um trabalho antes dessa novela que foi um “Caso Especial” que o Ziembinski era o diretor e me chamou e estreei e logo em seguida tive o convite para fazer “Dancin’ Days” que foi importantíssima porque foi a minha entrada na televisão, essa novela do Gilberto Braga foi um marco na linguagem da televisão, anteriormente havia sido “Beto Rockfeller” de ruptura de linguagem. E eu fui do triângulo amoroso principal, que tinha Antônio Fagundes, Sônia Braga e eu à outros núcleos importantíssimos, a minha mãe era a Yara Amaral, meu avô Mário Lago. Então eu fiquei muito assustada, embora eu já havia feito cinema com cineastas renomados, tinha vindo do Cinema Novo, feito 6 anos de Tablado, mas a novela me deu uma visibilidade e uma dimensão da vida profissional absurda, tanto que a Louise também fazia a novela e depois fomos as protagonistas de “Marron Glacê”, então o Tablado começou a ter fila na porta porque nós eramos as mocinhas do Tablado das peças da Clara e estavamos fazendo televisão e em entrevistas a gente falava, então deu uma visibilidade enorme para o Tablado como escola.

Jéfferson Balbino: E como foi contracenar com o saudoso e inesquecível ator Mário Lago, que fazia o avô de sua personagem nessa novela?

Sura Berditchevsky: Eu aprendia muito com pessoas como o Mário Lago porque eles tinham uma vivência incrivel tanto de teatro como de televisão. O Mário Lago também era compositor, escrevia... E ele tinha atitude diferente desses jovens que entram e já viram “star”, ele tinha uma atitude muito humilde, então foi uma experiência muito incrivel Jéfferson. Quando estive no Ceará com o meu monólogo Cartas do Carlos Drummond de Andrade muitas pessoas se lembraram e vieram comentar comigo sobre esses meus trabalhos em “Dancin’ Days” e “Marron Glacê”.

Jéfferson Balbino: Como surgiu o convite pra você protagonizar a novela “Marron Glacê” (TV Globo/1979)?

Sura Berditchevsky: Já foi decorrente do sucesso de “Dancin’ Days” e a novela foi dirigida inicialmente pelo Gracindo Jr., e depois pelo Gonzaga Blota. “Marron Glacê” era do Cassiano Gabus Mendes e depois fiz outra novela dele que foi “Plumas e Paetês”.

Jéfferson Balbino: O que é mais gratificante na carreira de atriz?

Sura Berditchevsky: Tanta coisa... É uma carreira dura ao contrário do que muitos acham, mesmo para quem está na estrada há muitos anos, é muito instável, tem momentos dificeis para viabilizar projetos... Não é fácil ser atriz, mas quando temos vocação por mais penoso que possa ser, ainda assim é uma maravilha... É um estilo de vida diferente, e não estou falando do oba oba social, mas de qualquer artista, do processo de criação, do processo de absorver qualquer coisa dura da vida e transformar em arte. Eu sou completamente vocacionada, quando lembro da minha infância eu vejo que eu já tinha um talento para as artes e que com certeza seria teatro pelo temperamento, pela forma de me expressar, etc... O ator não tem que ser certinho, tem que ser irreverente, tem que ser transgressor. Se ele for no comboio ele será um artista medíocre, ele tem que ter um olhar de fora e transgredir com a coisas que acontecem na realidade para poder criar.

Jéfferson Balbino: Você acha que a vocação é uma espécie de estopim para o ator construir uma carreira sólida? Porque, por exemplo, a Rosamaria Murtinho, sempre diz não ter vocação para a carreira de atriz... Porque eu imagino que a vocação é uma espécie de combustível para a vida do ator...

Sura Berditchevsky: É... Eu acho que quando não tem vocação você sofre, e se você tem também sofre. Eu, por exemplo, acho impossível não estar duas horas antes da peça começar no Teatro, e tem atores que chegam na hora, ou depois do público... Cada um faz o que quer, mas pra mim é uma deformação da profissão. É inadimissivel um ator chegar atrasado... E quando não se tem vocação há muito sofrimento.

Jéfferson Balbino: Você como professora acredita que se um ator possui mais vocação que talento ele pode através dessa vocação conseguir o talento que lhe falta?

Sura Berditchevsky: Ah sim... Ela é capaz de fazer o ator se aprimorar e até surprender.

Jéfferson Balbino: Como é a sua relação com seus fãs?

Sura Berditchevsky:

Jéfferson Balbino: Que lembranças você tem da Lídia, sua personagem na novela “Plumas e Paetês” (TV Globo/1980)?

Sura Berditchevsky: Como estavamos falando há pouco fiz “Marron Glacê” que é marcante para mim até hoje várias pessoas passaram a se chamar Vanessa por conta do nome da minha personagem... Mas também foi muito divertido fazer “Plumas e Paetês” e fazia uma anti-manequim já que não tinha nem altura para fazer, mas é claro que “Marron Glacê” foi muito mais importante pra mim...

Jéfferson Balbino: E foi dificil para você que havia trabalhado com o Gilberto Braga e ido na sequência atuar nas novelas do Cassiano Gabus Mendes se acostumar a um novo estilo já que são dois autores com universos dramaturgicos distintos?

Sura Berditchevsky: O Gilberto Braga tem uma coisa que eu gosto muito que é aquele universo de Copacabana que ele retrata, a maneira que ele trabalha os núcleos, todos os capítulos os núcleos estava presentes com ações simultâneas. E trabalhar com o Cassiano foi também maravilhoso pois pude atuar com grandes atores como: Lima Duarte, Ricardo Blat, Armando Bógus, Laerte Morrone, um monte de atores daquele buffet, só feras, e eu a Louise protagonistas da novela e nós tinhamos muita liberdade para criar, minha personagem era irreverentíssima... Foi um desenvolvimento, e eu me adaptei fácil.

 



Escrito por defrentecombalbino às 18h55
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Entrevista Especial com: Sura Berditchevsky

 

 

 

Jéfferson Balbino: Em 1981, você integrou o elenco da novela “Terras do Sem Fim” (TV Globo), trama escrita por Walter George Durst inspirada nos romances do grande Jorge Amado. Você chegou a ler as obras do escritor baiano para compor a Ester?

Sura Berditchevsky: Eu já tinha lido algumas coisa do Jorge Amado na escola... Mas o incrível é que me chamaram de última hora e em cima das gravações, tnha a direção genial do Herval Rossano, era uma novela de época, tinha o Jonas Mello, gravavamos em Vassouras (RJ) trocavamos de roupa dentro do ônibus, era uma protaginista, tinha muitas cenas externas... Era muito cansativo, trabalhoso, mas o Herval era excelente, aprendi muita coisa com ele. Ele era muito severo, mas gostava de mim, eu entendia bem. Eu nunca tive problema com diretor, talvez pelo fato deu ser diretora também, eu ser o que devo fazer enquanto atriz, enquanto diretora, enquanto professora... eu consigo transitar bem, eu consigo ser dirigivél... Eu gosto de ser dirigida por um diretor com pulso mais forte que sabe o que quer, eu nunca tive problema com questão de autoridade, cada um tem seu temperamento.

Jéfferson Balbino: Dizem que o Daniel Filho também era muito carrasco né?

Sura Berditchevsky: Sim. Ele foi dificil com muita gente em várias situações, como também deve ter sido comigo em algumas situações, mas nada que tenha passado do estúdio, acho que a briga de trabalho acaba no trabalho e não se leva pra casa.

Jéfferson Balbino: Mas você  que também é diretora acha que o diretor é a autoridade máxima e o ator uma espécie de subordinado?

Sura Berditchevsky: Não... E nem o diretor é subordinado do ator, eu acho que não devemos crucificar um diretor que tem um temperamento mais forte absolutamente... Eu acho que cada um tem a sua personalidade e a sua maneira de trabalhar e a sua excentricidade e a sua maneira de se expressar dentro disso e os maiores gênios são assim. Eu acho Jéfferson que hoje em dia impera uma ideoligia da simpatia em que todo mundo tem que ser bonzinho e simpático para garantir o dia de amanhã, a sociedade capitalista é assim, criando máscaras, personas para se fazer média, é obvio que temos que manter um nível de civilidade, mas eu acho que na criação não cabe esse bom comportamento. O bom comportamento e a simpátia não cabe você tem que criar tem dias que vamos estar ou não mais exacerbado. Somos humanos e a opção é representar com emoções, eu não tenho menor problema com a excentricidade do artista seja ele ator, produtor, diretor... Eu acho que o ator deve ter uma relação bacana já que o diretor trabalha com todas as pontas, desde o cara que está levando cafézinho até a parte executiva de dinheiro, ele sabe e tem toda essa respnsabilidade, essa maestria, e por isso é pressionado, e também há ator egoíco que deseja o diretor só pra si. Eu trabalhei com o Daniel Filho, com o Herval Rossano, com o Wolf Maya entre outros diretores que são tão diferentes um dos outros e com personalidade fortíssimas e nunca tive problema dessa ordem. Eu não sou muito fácil, tenho um temperamento e uma personalidade forte até porque se não tivesse não seria diretora que tem que ter essa liderança, mas sendo dirigida eu nunca tive esse problema de bater de frente, quando eu não gostei e discordei eu sai... O diretor tem que ter muito pulso firme!

Jéfferson Balbino: Você também já atuou em vários filmes... Qual foi o seu trabalho no Cinema que mais lhe marcou?

Sura Berditchevsky: Amei fazer Cinema e gostaria de fazer mais... Adorei porque é tão artesanal e delicado. É a sua relação com a câmera que te possibilita fazer um trabalho minucioso, e eu gostei de fazer cinema, acho que fiz bem, fiz muita coisa boa e acho que estava acertando o passo. Fiz um filme com a direção do Oswaldo Caldeira e depois fiz outro chamado “História de Delmiro Vieira” com o Rubens de Falco, fiz “Os Setes Gatinhos” e conheci o Nelson Rodrigues, onde fiz depois a peça e ele ficava na coxia comigo, depois eu fui dirigir a Cláudia Rodrigues na peça do Nelson Rodriguesa “Valsa nº 6”, foi minha primeira direção. Eu fiz 4 Nelson Rodrigues, fiz outros filmes que agora não estou me lembrando, mas tive muita sorte porque eu fotografava bem, melhor do que eu sou. E isso me ajudou tanto no Cinema como na Televisão. Fotografar bem não significa ser ou estar bonita, mas ter um entendimento com a câmera e no cinema eu fiz filmes delocação, morei 3 meses no sertão da Bahia...

Jéfferson Balbino: Você que já transitou no teatro, no cimema e na TV acredita que tem um tipo especifico e apropriado de interpretação para cada veículo?

Sura Berditchevsky: Cada veículo é uma interpretação diferente que você vai se adaptando ao veículo. Eu agora sou professora na Escola do Wolf Maya e digo que tem muitos cursos sérios para preparar mais para a televisão, porque somos uma Broadway brasileira, mas se você tiver uma boa base teatral irá se adaptar com essas outras linguagens. E eu como professora de teatro procuro passar e ensinar isso.

Como foi trabalhar na extinta Rede Manchete na minissérie “Santa Marta Fabril S/A” (1984)?

Sura Berditchevsky: eu estava grávida da Natasha, minha filha, e o Maurício Schermann me convidou para escrever o roteiro dos programas da Xuxa, eu cheguei a escrever uns pilotos, mas não deu certo. Aí em seguida me chamaram para fazer parte de um programa diário de debates chamado “Manchete Shop Show”, onde eu aparecia enorme de grávida, e era uma mesa com jornalista e advgados, o clodovil fazia parte e discutíamos ao vivo as manchetes dos jornais. Eu passei o final da minha gravidez fazendo esse programa, e depois que eu ganhei minha filha o Vietri me convidou para fazer esse seriado e que foi maravilhoso. Mas era o começo de uma televisão e não tinha a estrutura que a TV Globo já tinha e que eu já havia experimentado. Tinha a querida Nathália Timbergfazendo minha avó, tinha a Tetê Medina que era minha mãe, foi um elenco maravilhoso e depois eu voltei para a Globo.

Jéfferson Balbino: Você também participou do remake da clássica novela “Selva de Pedra” (TV Globo/1986), onde você interpretou a personagem Kátia, papel defendido pela atriz Maria Claudia na versão original da novela. Você chegou a trocar ideias com a atriz, assistir a versão de 1972 ou preferiu fazer uma composição própria?

Sura Berditchevsky: Não... Bão assisti na época, eu estava totalmente teatro, foi bacana ter feito essa novela, mas não foi uma novela importante como as outras. Era uma personagem que tinha certa importância, mas para minha carreira não foi como as outras foram... Sempre a gente quer fazer sucesso, é mentira dizer que não, e quando uma novela não faz sucesso é claro que nos incomoda, a gente comenta nos bastidores e queremos saber o porque não fez sucesso.

Jéfferson Balbino: A que você atribui o sucesso da Raquel, sua personagem na novela “Barriga de Aluguel” (TV Globo/1990)?

Sura Berditchevsky: Foi quando eu voltei para a Globo... Contracenei com o querido Leonardo Villar, tinha também a Claudia Abreu, pude trabalhar com a Glória Perez e a novela foi um sucesso. A direção do Wolf e essa combinação dele coma  Glória e essa temática foi o sucesso.

Jéfferson Balbino: Uma de suas personagens que eu mais gostei foi a Letícia da novela “Era Uma Vez...” (TV Globo/1998) que deu uma reviravolta na trama. O que você ressaltaria do texto do Walther Negrão e de seus colaboradores Júlio Fischer e Elizabeth Jhin?

Sura Berditchevsky: Esse trabalho foi muito incrível pelo seguinte na verdade o Jorginho me chamou porque eu já estava querendo voltar a atuar, o elenco protagonista era de crianças e eu entrei para essa novela como diretora, eu preparava as crianças, e depois ganhei esse presente que foi essa participação especial com essa personagem que entraria depois e que tinha importância. Mas a necessidade maior era eu dirigir, e eu dei o melhor de mim, ia a todas as gravações, foi muito cansativo. Mas adorei ainda mais que eu queria voltar a atuar como atriz... Eu tenho certa facilidade para o drama acho que herdei isso dos meus parentes judeus russos, dessas coisas fortes na vida, eu sou uma pessoa que investigo muito de mim, me auto-reconhecendo através de muitos anos de análise... Eu gosto de drama e de comédia na mesma proporção eu transito bem no humor, mas também vou fundo no drama.

 



Escrito por defrentecombalbino às 18h53
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Entrevista Especial com: Sura Berditchevsky

 

 

Jéfferson Balbino: Muitos atores que eu entrevistei me disseram que fazer comédia é muito mais dificil que fazer drama. Você também compartilha dessa opinião?

Sura Berditchevsky: Acho que é dificil, não mais dificil. Você tem que ter uma veia a procurar... Você tem que ter um time para comédia, eu sei que faço e já fiz comédia, mas é uma coisa muito técnica, o Chico Anysio já falava isso. Tem pessoas que já tem um dom para a comédia, mas acho que eu perdi um pouco com a vida, porque quando era mais nova eu era muito galhofa.

Jéfferson Balbino: Como surgiu a ideia de escrever livros para o público infantil?

Sura Berditchevsky: Foi em 1980, antes deu engravidar, eu sempre gostei de escrever, e nesse período a minha vida deu uma virada. E eu sempre escrevi muito, mas depois comecei a perceber que eu estava escrevendo para criança, e embora eu fosse ‘filha’ de Maria Clara Machado não era teatro infantil que eu estava escrevendo, mas sim literatura infantil, e eu me recusei a perceber isso, tanto que ficou por uns 5 anos engavetado tudo isso e foi a minha gravidez da Natasha que me estimulou a publicar e os livros foram um sucesso e foram adotados na escola. A vida me levou muito para esse lado, deu muito certo, porque eu vou muito fundo nas coisas e meu trabalho de atriz foi ficando em segundo plano.

Jéfferson Balbino: E como é o processo de composição de suas personagens?

Sura Berditchevsky: Eu sofro muito, eu sonho, eu tenho que andar pela praia, é quando tenho ideias e insight’s eu tenho que ter uma solidão boa. Em televisão é só seguir o cotidiano e criar um universo para a personagem, já no teatro e no cinema que é uma obra fechada eu tenho que buscar o que há de mim na personagem, de mim mesmo, das minhas emoções, da parte subjetva, do que eu vivi, do que eu gostaria de ser e não sou ou do que eu sou e não descobri. Quando é muito longe  de mim eu tento aproximar.

Jéfferson Balbino: Ultimamente você vem fazendo partições especiais na TV como nas novelas: “Senhora do Destino” (TV Globo/2004), “Malhação” (TV Globo/2006) e “Ti Ti Ti” (TV Globo/2011). Sente falta de interpretar uma personagem mais sólida em novelas?

Sura Berditchevsky: Há muito tempo que fiz isso, foram coisas pequenas... Eu quero fazer uma novela, quero uma personagem pra mim, estou apta pra fazer, estou madura com meu trabalho e louca pra voltar na televisão e estou totalmente plena como atriz. E tenho uma história bem sucedida nas novelas que fiz e comprovei meu talento e já preparei tantos atores para a TV e não importa em que emissora se na Globo ou na Record eu quero é voltar!

Jéfferson Balbino: Você que também é professora e diretora de teatro, que dica deixa pra quem almeja seguir a carreira artística?

Sura Berditchevsky: Eu acho que é que devem ter vocação. Tem que buscar conhecer e entender o que é. Se o ator quer apenas usufruir das ‘coisas boas’ que ele acha que essa profissão trás não é errado é um direitor que as pessas tem de querer isso. Mas vão procurar a outra ponta para saber como é, o ator tem que estudar, tem que ser culto, tem que ter cultura, tem que ir ao cinema, tem que ler livro, tem que ir em exposição, tem que saber o que está acontecendo políticamente no país e no mundo, pois não tem como trabalhar sendo desinformado. Uma boa dica para quem é fora desse eixo Rio-SP é você se fortificar numa companhia regional de teatro, é a maneira de trabalhar e que te propicia um tempo maior para a criação. 

Jéfferson Balbino: Ao longo de sua carreira já aconteceu algum fato engraçado e/ou inusitado envolvendo você e o público?

Sura Berditchevsky: Aconteceu lá em Fortaleza quando eu fiz a minha última peça e eu estava no Espaço Cultural dos Correios e numa praça perigosa e tinha uma manifestante com carro de som aos berros e a platéia ouvia e eu observei e prossegui com a peça porque a manifestante duelava com a dela, mas foi um exercicio de concentração também. Teve também um fato muito engraçado de quando eu dirigi a “Valsa nº 6” com a Claudia Jimenez nós estavamos em Londrina e íamos para um outro teatro porque a Elba Ramalho iria fazer um show na cidade e acabou ficando com o teatro maior e tivemos que improvizar com umas tapadeiras, eu fazia um trabalho na sonoplastia, isso foi depois que eu fiz a novela “Marron Glace” então eu estava no auge e muita gente ia ver o espetáculo achando que eu fosse aparecer porque lia meu nome no cartaz... E um dia quando a Claudinha fazia o monólogo a tapadeira cai e revela eu mexendo no som e as pessoas ficaram em pé e me aplaudiram. Eu agradeço e subo a tapadeira de novo e a Claudinha “brava” começou a jogar peças de cena em cima de mim (risos)...

Jéfferson Balbino: Qual a maior dificuldade em atuar num monólogo?

Sura Berditchevsky: É muito dificil porque te exigia uma concentração absurda. Não tem apoio em cena, só de você com a platéia é tão dificil que cada vez que surge uma viagem e eu estou num monólogo eu sinto medo. Tem muito desgaste, não pode ter mentira ou você tem uma entrega total ou desiste.

Jéfferson Balbino: Antes de finalizarmos a nossa pergunta de praxe: Quais foram as melhores novelas que você já assistiu?

Sura Berditchevsky: Eu não vejo muito novela. Mas amei quando eu vi “Beto Rockfeller”, “Avenida Brasil”, “A Favorita”... às vezes eu vejo algumas pra acompanhar o trabalho de meus colegas.

Jéfferson Balbino: Querida, super obrigado por conceder essa entrevista ao “No Mundo dos Famosos”, muito mais sucesso pra você... Beijos!

Sura Berditchevsky: Ah Jéfferson, muito obrigada... Um beijo!

 



Escrito por defrentecombalbino às 18h50
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PRÓXIMA ENTREVISTADA: Sura Berditchevsky



Escrito por defrentecombalbino às 18h49
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