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Entrevista Especial - NO MUNDO DOS FAMOSOS
 


Entrevista Especial com ILVA NIÑO

 

 

Hoje eu entrevisto aqui “No Mundo dos Famosos” uma brilhante atriz que tem uma longa e bem sucedida carreira no Teatro e na TV. Ela é uma atriz que faz de uma simples personagem uma inesgotável fonte de emoção e a cada trabalho que faz deixa sua inconfundível marca que habita sempre em nosso imaginário. Minha “Entrevista Especial” é com a respeitada atriz ILVA NIÑO.

“Me dá uma alegria tão grande quando as pessoas reconhecem meu trabalho, porque eu nunca fui protagonista de novela, só de teatro e quando alguém reconhece de maneira carinhosa meu trabalho isso me causa muita alegria.”

(Ilva Niño)

Jéfferson Balbino: Como surgiu seu interesse pela carreira de atriz?

Ilva Niño: Olha Jéfferson, eu comecei o meu momento de atriz quando eu fui fazer teatro amador lá em Pernambuco e depois eu resolvi fazer uma coisa mais séria e fiz o curso de teatro pela faculdade, onde fui formada lá pela Universidade de Pernambuco. Mas antes disso eu fiz um curso de teatro com o Ariano Suassuna de teatro grego aí montamos um espetáculo de Sófocles era um espetáculo muito bom, pois tinha o cenário de Aloísio Magalhaes que era também um formando junto com o Ariano Suassuna e meu também. E dali em diante eu continuei com o Ariano Suassuna onde montamos a primeira peça dele profissionalmente que foi “O Auto da Compadecida” e trouxemos aqui para o Rio de Janeiro onde eu ganhei o prêmio de melhor atriz e aqui nós ficamos durante o tempo do I Festival de Teatro feito por Dulcina de Moraes.

Jéfferson Balbino: Quantos anos a senhora tinha nessa época?

Ilva Niño: Não me lembro ao certo, só sei que eu era muito jovem. Eu ainda nem namorava com o Luiz Mendonça. Eu fui namorar com ele, que veio a ser meu marido, durante a montagem de “O Auto da Compadecida”.

Jéfferson Balbino: Sua estreia em novelas ocorreu em “Bandeira 2” (TV Globo/1971). Como foi essa primeira experiência na teledramaturgia?

Ilva Niño: Na verdade eu comecei a minha carreira na TV com a novela “Verão Vermelho” que foi um ano antes de “Bandeira 2” em 1970 e que também foi do Dias Gomes foi inclusive a primeira novela do Dias Gomes. Foi meu primeiro contrato com a Globo, essa informação poucas pessoas sabem por que não está na minha biografia que roda pela internet, mas eu peguei lá na Globo essa informação, mas logo já vai estar.

Jéfferson Balbino: Então como foi sua primeira experiência em televisão ao atuar em “Verão Vermelho” (TV Globo/1970)?

Ilva Niño: Eu estava fazendo teatro, isso ocorreu logo após o Golpe de 64, o Dias Gomes também havia saído da Rádio Nacional na época do Golpe onde foi demitido e eu fiz a Rosa na peça “O Pagador de Promessas” do Dias Gomes onde trabalhei com o Leonardo Villar que fazia o Zé do Burro, inclusive ele ganhou a Palma de Ouro fazendo o filme. Então foi o Dias Gomes que me levou pra televisão.

Jéfferson Balbino: E o que a senhora poderia nos contar sobre o grande novelista Dias Gomes?

Ilva Niño: O Dias era uma pessoa magnifica, muito bacana, muito generosa. Ele foi muito bacana e, principalmente com a gente que sofreu com o Golpe de 64, ele foi muito amigo nosso o tempo todo. Eu fiz também com ele “O Berço do Herói” que foi a primeira montagem proibida de “Roque Santeiro” e depois fiz a primeira montagem de “Roque Santeiro” para a televisão, e depois fiz a versão com a Regina Duarte.

Jéfferson Balbino: Que lembranças à senhora têm do seu trabalho nas novelas: “Gabriela” (TV Globo/1975) e “Pecado Capital” (TV Globo/1975)?

Ilva Niño: Eu acho que “Pecado Capital” foi uma das grandes novelas. Até o Daniel Filho acha que foi a “Casablanca” brasileira porque foi uma novela lindíssima – a primeira montagem. Nela eu trabalhava com o Sebastião Vasconcelos que faleceu recentemente e com a Betty Faria, a Elizangela fazia minha filha, enfim tinha um elenco muito bom. “Pecado Capital” veio após a proibição de “Roque Santeiro” até pensaram na época que seria outra novela do Dias Gomes, mas não era, era mesmo da Janete Clair, inclusive foi à única novela que fiz com ela. O elenco era quase o mesmo da versão censurada de “Roque Santeiro”. Quando “Roque Santeiro” foi censurada todos nós envolvidos na produção da novela ficamos muito tristes, ainda mais que proibiram no dia de estreia da novela, e ficamos sabendo ao assistirmos o Jornal Nacional, ainda bem que “Pecado Capital” foi um sucesso, era uma novela muito moderna, com uma ótima direção e fizemos muito bem.

Jéfferson Balbino: Em 1977 a senhora foi uma das protagonistas da novela “Sem Lenço, Sem Documento” (TV Globo/1977). Que avaliação a senhora faz do se trabalho nessa novela?

Ilva Niño: Nessa novela foi a primeira empregada doméstica de muito sucesso que eu fiz na vida, era uma novela de Mário Prata, eu adoro ele como escritor, mas essa novela não foi sucesso, acho que hoje ela faria, mas na época era muito avançada e por isso não fez, tinha 5 empregadas, era eu, a Arlete Salles, a Izabel Ribeiro que foi uma grande atriz que morreu prematuramente... Era uma novela muito boa, mas não era tão parecida com “Cheias de Charme” não.

Jéfferson Balbino: A senhora também fez parte do elenco da clássica novela “Feijão Maravilha” (TV Globo/1979). Como era nos bastidores o inesquecível ator Grande Otelo?

Ilva Niño: Com o Grande Otelo eu fiz também um espetáculo de rua muito bonito que além de nós dois também tinha a Rogéria, inclusive estávamos fazendo uma apresentação quando mataram a filha da Glória Perez e sabemos lá na hora sobre a morte dela. Eu fiz com o Grande Otelo esse espetáculo e algumas novelas, mas na TV a gente não chegou a contracenar, éramos de núcleos diferentes...

Jéfferson Balbino: No seu currículo também tem seu trabalho nas minisséries: “Lampião e Maria Bonita” (TV Globo/1982), “Quem Ama Não Mata” (TV Globo/1982) e “Contos de Verão” (TV Globo/1993). Compor uma personagem de minissérie é realmente mais fácil do que compor uma personagem de novela devido à minissérie ser uma obra fechada?

Ilva Niño: Eu também fiz alguns “Caso Verdade” muito bons, fiz também vários episódios de “Carga Pesada”... Ah deveria voltar essas coisas... O seriado eu acho muito bom fazer. E gostei muito de fazer essas minisséries que você citou, eu que fiz a mãe da Maria Bonita que foi uma minissérie linda. Mas eu nem lembro muito bem das outras. Jéfferson, você acredita que eu nunca assisti “Roque Santeiro”, pois sempre que passa eu não consigo ver, se você me perguntar como era a história eu não vou saber lhe dizer. Um dia eu ainda vou ver, mas naquela época não se gravava em casa e nem tinha em DVD. Queria muito ver também “Verão Vermelho”, a Dina Sfat estava linda nessa novela...

Jéfferson Balbino: Que recordações a senhora guarda da Antônia sua personagem na novela “Água Viva” (TV Globo/1980)?

Ilva Niño: Foi uma participação muito pequena que eu nem lembro direito, só sei que fiz.

Jéfferson Balbino: Um dos maiores sucessos de sua carreira é a marcante Mina da novela “Roque Santeiro” (TV Globo/1985). A que a senhora atribui esse imenso sucesso?

Ilva Niño: Como era uma novela com muita liberdade, muito democrática eu acho que foi a primeira empregada que viveu uma relação de amizade e família com a patroa, era uma relação afetuosa, muito humana. Ela era cúmplice da Porcina e  partir daí surgiram as empregadas humanas das novelas, não apenas uma serviçal.

 



Escrito por defrentecombalbino às 23h40
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Entrevista Especial com ILVA NIÑO

 

 

Jéfferson Balbino: Além de “Roque Santeiro” a senhora atuou em outras novelas do grande novelista Aguinaldo Silva, como: “Partido Alto” (TV Globo/1984), “O Outro” (TV Globo/1987), “Pedra Sobre Pedra” (TV Globo/1992), “Suave Veneno” (TV Globo/1999), “Porto dos Milagres” (TV Globo/2001), “Senhora do Destino” (TV Globo/2004) e “Duas Caras’ (TV Globo/2008). Ou seja, a senhora trabalhou em 8 novelas escritas por ele. O que essa parceria acrescentou na sua carreira?

Ilva Niño: Me acrescentou porque o Aguinaldo é da mesma região que eu, e quando ele pega personagens populares ele trabalha com muita verdade sobre eles e a gente tem facilidade de humanizar esses personagens, o Aguinaldo gosta muito do humano e quando trabalhamos sem medo de mostrar esse lado humano do personagem funciona e muito bem. Por exemplo, em “Cordel Encantado” eu fazia a mãe de um cangaceiro com um lado humano muito forte.

Jéfferson Balbino: A senhora também integrou o elenco de uma belíssima novela que infelizmente é pouco lembrada pelo público que foi “O Sexo dos Anjos” (TV Globo/1989). O que a senhora pode nos contar sobre esse trabalho? E também sobre a magistral novelista Ivani Ribeiro?

Ilva Niño: Eu era par romântico do Lutero Luiz que morreu antes de terminar essa novela. Era uma novela que retratava uma outra dimensão, a espiritual e se você pegar esse mundo espiritual para retratar que é um mundo desconhecido é uma incógnita que desperta muita curiosidade nas pessoas.

Jéfferson Balbino: E como foi contracenar com as atrizes Eva Wilma e Carolina Ferraz na novela “História de Amor” (TV Globo/1995)?

Ilva Niño: Elas faziam duas patroas diferentes das outras patroas que eu tive na ficção, pois ela tinha um comportamento muito peculiar com as patroas. Com a Carolina eu fiz também a novela “Por Amor” e ela sempre foi muito legal, ela ainda estava começando a carreira e a Eva Wilma já era muito experiente e você contracenar com uma atriz do peso da Eva Wilma faz você crescer muito.

Jéfferson Balbino: A senhora também atuou em algumas séries infanto-juvenis como: “Confissões de Adolescentes” (TV Cultura/1994), “Caça Talentos” (TV Globo/1997), “Malhação” (TV Globo/1999) e em “Um Menino Muito Maluquinho” (TV Globo/2006). Como foi a experiência em contracenar com essa nova geração de atores e trabalhar para esse público?

Ilva Niño: Eu fiz também “Aplauso” um episódio chamado “A Enxada” que não foi ao ar por causa da censura que era com o Stênio Garcia... Tem muita gente nova muito boa e talentosa tem uns que falta um pouco de disciplina, mas isso na televisão acaba se adequando.

Jéfferson Balbino: Após viver na ficção diversas empregas domésticas a senhora deu vida com muito êxito a uma freira na novela “Terra Nostra” (TV Globo/1999). Gostaria de saber como é a sua relação com religião e fé?

Ilva Niño: Eu a Arlette Salles fazíamos as freiras que levavam as crianças lá para a roda né?! Eu sou uma pessoa nascida e batizada católica, mas respeito todas as religiões, respeito todas as crenças, eu tenho uma liberdade de aceitação muito grande eu nem discuto quando as pessoas têm a sua vocação e a sua escolha de vida, porque religião é escolha de vida e quem não tem não é nada.

Jéfferson Balbino: A senhora também é mãe do falecido ator Luiz Carlos Niño... Foi à senhora que o motivou a seguir a carreira artística?

Ilva Niño: Não porque quando eu fazia “Pecado Capital” ele saia do Colégio e ia lá. Ele fez a primeira montagem do “Sitio do Picapau Amarelo” onde fazia o filho de um turco aos 4 anos e em “Pecado Capital” ele também acabou entrando para a novela e depois ele fez alguns especiais sob a direção do Fábio Sabag... O pai dele tinha um prêmio Molière, o maior prêmio do Teatro brasileiro, era um diretor premiado e respeitado e eu atriz e ele vivendo sempre nesse meio, a minha mãe era musicista e meu pai também tocava, a família do Luiz Mendonça foi à criadora do espetáculo de Jerusalém então veio de uma coisa natural.

Jéfferson Balbino: A maioria de seus trabalhos na TV estão estreitamente ligados à comedia. A senhora se considera uma comediante?

Ilva Niño: Você sabe que meu trabalho em “Bandeira 2” era mais uma tragédia, era um drama social muito forte e muito bom, com um cunho social muito forte. E eu gosto mesmo de fazer algo simples, mas que tem alguma coisa a informar.

Jéfferson Balbino: Recentemente a senhora deu um show de interpretação no remake da novela “Saramandaia” (TV Globo/2013). Como foi dar vida a personagem Cleide Neves?

Ilva Niño: Eu não vi a outra “Saramandaia” e nem existia esse personagem meu. Eu acho que a Cleide foi criada para mostrar que a Vitória deixou a casa e voltou após 30 anos e foi a Cleide que ficou lá na casa para cuidar do Coronel Tibério e mostrar a relação humana, porque é difícil um coronel ter uma relação humana com uma empregada. Era um comportamento que não tinha na outra novela.

 



Escrito por defrentecombalbino às 23h38
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Entrevista Especial com ILVA NIÑO

 

 

Jéfferson Balbino: Agora que a senhora não estar no ar na TV. Quais são seus planos e projetos?

Ilva Niño: Eu tenho um Espaço na Lapa chamado “Niño de Artes Luiz Mendonça”, e a gente já esta com um projeto no ar com leituras dramatizadas para descobrir a literatura dramática brasileira e convidando pessoas novas que tem seus textos porque ninguém gosta de montar textos de pessoas novas, mas a gente está lá para ler e discutir e sentir como é os personagens que criou sendo lida por atores.

Jéfferson Balbino: E quem desejar participar desse projeto como faz?

Ilva Niño: É só nos mandar um e-mail para: ninodeleituras@gmail.com ou só entrar em nosso site.

Jéfferson Balbino: E como à senhora mantém essa vitalidade em pleno os 80 anos de idade, sendo que não aparenta?

Ilva Niño: Eu fiz em Dezembro 80 anos de vida, vida bem vivida e sofrida. Eu nunca fiz plásticas, eu tenho essa idade graças a Deus, trabalho muito, trabalho também na Fundação Oswaldo Cruz desenvolvendo um trabalho de teatro, dou aulas para o Ensino Médio ajudando a formar cidadãos que está precisando...

Jéfferson Balbino: Ao longo desses mais de 50 anos de carreira... O que a senhora considera ter sido a sua maior contribuição?

Ilva Niño: Eu acredito que a minha maior contribuição para o meu oficio é quando eu e meu marido fizemos um trabalho na favela de Manguinhos, há uns 30/40 anos atrás antes mesmo de ter o “Nós do Morro”. Formamos grupo de teatros, percorremos várias favelas com esse grupo de teatro, além de fazer um teatro também na flecha carioca que era uma fábrica de plástico e a gente criou o grupo de teatro operário e que depois esse grupo participou de um festival de teatro e foi premiado. O que eu mais quero na vida é fazer esses projetos sociais e com isso repassar tudo o que eu aprendi para não ficar apenas comigo. O trabalho social é o que mais podemos fazer, porque a classe alta não se preocupa em fazer algo social, mas só o que envolve muito dinheiro.

Jéfferson Balbino: Tem algum autor ou ator que a senhora nunca trabalhou, mas tem vontade de desenvolver algum trabalho juntos?

Ilva Niño: Tem tantos atores que eu adoro, como o Stênio Garcia que só fiz esse episódio “A Enxada” e que não foi ao ar. Adoro trabalhar com o Lima Duarte que sabe trabalhar e que sabe olhar pra gente, tem diálogo de personagem e não de ator. E quando trabalhamos com esses atores a gente tem segurança. Embora não seja velho o Domingos [Montagner] também desperta na gente essa confiança, é um ator bom, perfeito e generoso. Tem muita gente boa e gente antiga que já trabalhei e quero trabalhar. Nunca trabalhei com a Suzana Vieira, mas tenho muita vontade, gosto dessa coisa espontânea que ela tem e que pode incomodar muita gente, mas a mim não incomodaria.

Jéfferson Balbino: Antes de finalizarmos: Quais foram as melhores novelas que a senhora já assistiu?

Ilva Niño: Se eu puder e tiver em casa eu assisto, mas dificilmente eu estou em casa, e quando estou geralmente estou corrigindo trabalho de alunos e planejando aulas e quando eu vou ver a novela já passou. Mas a que eu acompanhei e gostei e vi a reprise foi “Pecado Capital” que considero ser a novela perfeita de todos os tempos...

Jéfferson Balbino: Dona Ilva, muitíssimo obrigado por conceder essa entrevista ao “No Mundo dos Famosos”, parabéns pela consagrada carreira, e muito mais sucesso. Um grande beijo!

Ilva Niño: Muito obrigada querido. A grande alegria do ator é esse amor e esse carinho que as pessoas tem pelo nosso trabalho e a gente guarda no coração. Me dá uma alegria tão grande quando as pessoas reconhecem meu trabalho, porque eu nunca fui protagonista de novela, só de teatro e quando alguém reconhece de maneira carinhosa meu trabalho isso me causa muita alegria. Eu tento passar sempre muita emoção em cada personagem que eu faço. Obrigada querido, um beijo!

 



Escrito por defrentecombalbino às 23h34
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PRÓXIMA ENTREVISTADA: ILVA NIÑO



Escrito por defrentecombalbino às 23h09
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